domingo, 11 de novembro de 2007

LEITURAS 2

No volume de Outubro/Dezembro dos “Dossiers pour la Science”, o tema das origens e evolução da Humanidade é tratado numa série de artigos, agrupados em três secções: “Nos frères”, “Nos Cousins” e “Nos Ancêtres”. Destaque, na sequência do que se abordou no módulo de Pré-História Europeia e se irá abordar em Bio-Arqueologia, para as discussões sobre os mecanismos e linhagens de evolução (“A l’Ouest d’Homo sapiens”, por Pascal Picq, mas também “Nombreaux hie, seuls aujourd’hui”, de I. Tattersall e J. Matterne), a emergência do pensamento simbólico nos Neandertais (“Les inventions des derniers neandertaliens”, por F. d’Errico e outros) e, sobretudo, sobre a emergência da cultura entre os primatas superiores (toda a secção “Nos ancêtres”, que inclui uma sistematização de dados sobre os chimpanzés, gorilas e oangotangos). Na última secção é abordada a questão, também focada nas aulas, do bipedismo.
(Sur la trace de nos ancêtres, Paris, “Pour la Science – Dossier”, Octobre/Décembre 2007, 120 p.).
Luiz Oosterbeek

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Deixo Mação para tràs, depois de um dia de Feira. No cair da noite, os restos arqueológicos que em breve deixarão de poder testemunhar a complexidade cultural da jornada. E como seria nos encontros cíclicos que reuniam as comunidades camponesas do Neolítico, reagrupando-as em eventos de consumo de produtos orgânicos, num tempo de que não restam sequer os plásticos a esvoaçar?

Noutro regresso a Lisboa, por cima do Rio Frio, vislumbro o poder do sol rompendo as nuvens. Num primeiro momento penso que pouco terá mudado desde o Neolítico, mas depois, pensando melhor,sei que vemos hoje muito menos do que então se via. Vemos menos... e temos menos receios (por ignorância nossa, já se vê).
Luiz Oosterbeek


No dia da defesa de teses de Mestrado...





..... o Espaço Mundus encheu-se para ouvir palavras musicais.
Obrigado ao André Natanael de Sousa Teixeira, que aceitou juntar-se a nós, e à Câmara de Mação que em boa hora o convidou.
Luiz Oosterbeek

LEITURAS

Dará entrada, em breve, na Biblioteca, livro de Anati, E. e Mohen, J.-P. (eds.), Les expressions intellectuelles et spirituelles des peuples sans écriture, Capo di Ponte, UISPP – Centro Camuno di Studi Preistorici.
Trata-se dos resumos e algumas comunicações do Colóquio da Comissão da UISPP sobre o tema do próprio livro, e dele destaco alguns textos que podem ser de interesse para os nossos debates. O artigo de Jean-Michel Chazine sobre a arte rupestre de Bornéu é especialmente interessante na sua discussão de contextos com impressões/negativos de mãos, quer na questão da sua funcionalidade, quer na revisão das cronologias. Para quem se interesse sobre modelos de interpretação/extrapolação de contextos ideológicos a partir da cultura material, vale a pena ler o artigo de Venceslas Krutas, sobre a arte céltica. O texto de Andrzej Rozwadowski oferece uma reflexão sobre os contributos da teoria da crítica textual para os estudos de arte rupestre (enquanto sistema de comunicação), enquanto o artigo de Kalle J. Sognes dscute o importante tema dos estilos versus autorias na produção de arte rupestre. O livro termina com um texto de Mário Varela Gomes sobre os menhires do Algarve, que merece ser confrontado com as interpretações dos menhires defendida por Manuel Calado (ver, por exemplo, o volume sobre o Alentejo, publicado na série “ARKEOS”). Para Além destes artigos, também alguns resumos valem a pena (como o de François Djindjian, sobre o bestiário associável a sucessivos ciclos rupestres europeus).

Luiz Oosterbeek

domingo, 4 de novembro de 2007

Porquê um Blog? Este Blog?








Num tempo acelerado, com escassos espaços de reflexão…

… numa comunidade em que somos já muitas dezenas, entre investigadores, docentes e estudantes de Mestrado e Doutoramento, em torno do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação e do Instituto Terra e Memória (parceria do Instituto Politécnico de Tomar com a Câmara Municipal de Mação)…

…pensàmos em criar este espaço de tertúlia virtual, para trocar pensamentos, reflexões, inquietações culturais, para dividir leituras, ideias, imagens, projectos…

… sobretudo para permanecermos ligados nas distâncias que nos separam, sem a preocupação de sermos diferentes, mas sempre procurando sermos exigentes para connosco.

Este é um blog de pré-história, arqueologia, arte rupestre, antropologia, filosofia, etnografia, didáctica, ciência. Para todos sabermos sobre os caminhos científicos e culturais que cada um de nós se interessa por trilhar e partilhar.

Uma certeza: o grande combate que todos travamos é pela defesa da pluralidade e da racionalidade, pela defesa da cultura e da ciência, de que o Quaternário e a Pré-História são campos nucleares de reflexão.

Luiz Oosterbeek

domingo, 28 de outubro de 2007

POR OCASIAO DO XV CONGRESO DA UISPP


Organização dos Laboratórios de investigação do ITM

A investigação está organizada, no seio do ITM/Grupo “Quaternário e Pré-História/Museu de Arte Pré-Histórica em grande grupos de investigação, que associam um número variável de investigadores. Neste quadro, estão em curso três projectos regionais (Alto Ribatejo em Portugal, Senegal na África Ocidental e Santa Catarina no Brasil – projectos complementados pelo apoio a projectos locais que envolvem um número mais limitado de investigadores) e três linhas de pesquisa temáticas (Quaternário e Indústrias líticas, Arte Rupestre e Gestão do Património – complementados por outras linhas de pesquisa, em diversas áreas mas envolvendo menos pesquisadores).As linhas de investigação em Indústrias líticas e em arte rupestre possuem laboratórios dedicados, que funcionam no edifício 2 do Museu de Arte Pré-Histórica.


Laboratório de Indústrias

Os coordenadores deste laboratório são Luiz Oosterbeek (Director do Museu) e Sara Cura, doutoranda da UTAD e docente no mestrado e responsável pelos módulos de Tecnologia e Tipologia Lítica e de Técnicas de Escavação, Registo e Análise. Colaboram na orientação da pesquisa outros professores, em particular Pierluigi Rosina e Stefano Grimaldi. O Laboratório desenvolve as suas acções em articulação com os projectos de investigação em curso (de cariz regional). Na discussão central destes projectos o estudo das indústrias líticas, na sua esmagadora maioria em quartzito, tem um papel determinante na medida em que revelam padrões de comportamento específicos que, pelas suas características ditas «expeditas», dificultam a sua associação inequívoca a comunidades de Caçadores-Recolectores ou de Agricultores e Pastores, sugerindo uma relação com o território e seus recursos não muito diferente.

Por outro lado a experiência acumulada pela análise destas indústrias tem revelado algum desajustamento das metodologias de estudo que foram estruturadas e aplicadas em matérias-primas distintas do quartzito. Faltam estudos experimentais de referência, quer ao nível do talhe, quer ao nível da traceologia. Desta forma o Laboratório de Indústrias deverá coordenar os seus estudos com vista à sistematização e caracterização das indústrias Pleistocenas e Holocénicas e constituição de um banco de dados experimentais que possam auxiliar os investigadores na análise de indústrias nesta matéria-prima. Na sua articulação com o Mestrado em Arqueologia e Arte Rupestre o Laboratório de Indústrias Líticas tem como principais objectivos integrar os alunos nas suas actividades de investigação e divulgação dos resultados científicos e patrimoniais daí decorrentes, bem como enquadrar e acompanhar de forma sistemática aqueles cujo tema de tese seja análise de indústrias líticas. Para além disso, pretende-se que esta integração resulte num apoio e enriquecimento à formação académica de todos os alunos colaboradores. Funcionamento

A unidade funciona no laboratório de Indústrias e Materiais Arqueológicos no Edifício 2 do Museu e no pátio exterior. Está prevista uma saída por semana para estudar colecções no CIAAR ou desenvolver trabalhos na Ribeira da Atalaia.

Laboratório de Arte Rupestre

Os coordenadores deste laboratório são Luiz Oosterbeek (Director do Museu) e Guillermo Muñoz, doutorando da UTAD. Colaboram na orientação da pesquisa outros professores, em particular Mila Simões de Abreu e Hipólito Collado. A linha de investigação propõe-se desenvolver uma investigação aplicada aos contextos rupestres inseridos nos projectos regionais, ou noutros projectos, na base da plena integração das problemáticas nos seus contextos pré-históricos, do apuramento metodológico e da reflexão crítica.A história crítica da investigação em arte rupestre, os fundamentos teóricos e epistemológicos, bem como os desenvolvimentos científicos e tecnológicos das últimas duas décadas, abriram novas vias de pesquisa. A reflexão desenvolvida no seio da UISPP (e em particular da IFRAO, sua organização associada), inclusivamente sobre questões éticas, constitui referência para o Laboratório de Arte Rupestre. O Laboratório mantém relações com equipas de investigação de todos os continentes, e um dos seus objectivos é o de aprofundar tais intercâmbios.

Listagem de temas de trabalho no âmbito do laboratório1-Arqueología rupestreProspecção, levantamentos e registosCartografiaBase de dados de arte rupestre


(EuroPreArt)
Descrição de alterações e deterioração de sítios2- Arte rupestre experimental (Modelo)Determinação das ferramentas e processos de realização dos petróglifosDeterminação do uso de pigmentos
Estudo dos processos de alteração
Manipulação digital e descrição laboratorial
3-Cooperação inter-laboratorial
Contributos das ciências básicas para o estudo dos materiais
Análises de amostras de materiais pétreos
Estudo de pigmentos e processos de erosão e corrosão
Estudo de invasores orgânicos (líquenes, ,,,)
4-Publicações e bibliografia
Continuação da ampliação da biblioteca especializada
Resenhas bibliográficas
Comunicações
Publicações (ARKEOS, TECHNE, revistas ISI)
5-Vestígios rupestres e processos de representação em comunidades actuais
Estruturas simbólicas e perduração e recorrência de sistemas estéticos
6-História da investigação em Arte Rupestre
Origens
História das tipologias
Processos, discussões, categorizações e problemática actual
Escolas e características
Estudos regionais e vínculos com a arqueología
7-Processos de Divulgação
Página web
List serv de coordenação
Publicações
Seminários

Funcionamento
Serão programadas saídas campo, dependentes da dinâmica de estudo dos sítios e dos projectos em curso. O Laboratório dedica-se ao registo de evidências de arte rupestre (em distintos suportes) e seu estudo contextual e interpretativo, bem como à revisão dos sistemas de documentação, exercícios de transcrição, estudos fotográficos, organização de materiais, etc.


Luiz Oosterbeek
Sara Cura
Guillermo Muñoz

sábado, 27 de outubro de 2007

Arqueologia Prehistorica y arte rupestre MACAO-PORTUGAL




Os processos de investigação em arqueologia, os trabalhos realizados nos últimos dez anos sobre Quaternário, permitiram ampliar os conhecimentos sobre a presença de grupos humanos no paleolítico no centro de Portugal (The Middle – Upper Pleistocene open air site).

Por outro lado, alguns hallazgos de pinturas e gravuras (Arte Rupestre) na mesma região, são sem dúvida vestígios de um sistema de comunicação e representação muito arcaico.

Aos temas do povoamento antigo somam-se também a esta zona conjuntos completos de estratos culturais, de periodos culturais diferentes no tempo, que ainda persistem, - como estratos – na memória dos habitantes, constituidos agora por espressões orais e tradições estéticas (Terra e Memória), alguns dos quais podem ser provenientes de etapas muito antigas.

Investigar sistematicamente estes elementos, divulgar este património, gerar políticas de gestão e produzir relações com a comunidade por meio das actividades do museu e dos serviços educativos (Andakatu), são temas que tendem a enriquecer esta proposta de actividades estra-curriculares complementares.

Neste contexto temático, o mestrado de arqueologia pré-histórica e arte rupestre, - em diferentes etapas – tem vindo a implementar diversos processos académicos científicos, que objectivamente estão interessados em responder de forma científica ao desenvolvimento regional específico desta zona de Portugal.

Esta dinâmica de trabalho académico veio impulsionar simultaniamente a formação de investigadores-doutores em distintos campos científicos e com ela a organização de linhas de trabalho, que se reflectem sobre as etapas e contextos histórico económicos destas áreas de estudo.