sexta-feira, 9 de novembro de 2007
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Deixo Mação para tràs, depois de um dia de Feira. No cair da noite, os restos arqueológicos que em breve deixarão de poder testemunhar a complexidade cultural da jornada. E como seria nos encontros cíclicos que reuniam as comunidades camponesas do Neolítico, reagrupando-as em eventos de consumo de produtos orgânicos, num tempo de que não restam sequer os plásticos a esvoaçar?
Noutro regresso a Lisboa, por cima do Rio Frio, vislumbro o poder do sol rompendo as nuvens. Num primeiro momento penso que pouco terá mudado desde o Neolítico, mas depois, pensando melhor,sei que vemos hoje muito menos do que então se via. Vemos menos... e temos menos receios (por ignorância nossa, já se vê).LEITURAS
Trata-se dos resumos e algumas comunicações do Colóquio da Comissão da UISPP sobre o tema do próprio livro, e dele destaco alguns textos que podem ser de interesse para os nossos debates. O artigo de Jean-Michel Chazine sobre a arte rupestre de Bornéu é especialmente interessante na sua discussão de contextos com impressões/negativos de mãos, quer na questão da sua funcionalidade, quer na revisão das cronologias. Para quem se interesse sobre modelos de interpretação/extrapolação de contextos ideológicos a partir da cultura material, vale a pena ler o artigo de Venceslas Krutas, sobre a arte céltica. O texto de Andrzej Rozwadowski oferece uma reflexão sobre os contributos da teoria da crítica textual para os estudos de arte rupestre (enquanto sistema de comunicação), enquanto o artigo de Kalle J. Sognes dscute o importante tema dos estilos versus autorias na produção de arte rupestre. O livro termina com um texto de Mário Varela Gomes sobre os menhires do Algarve, que merece ser confrontado com as interpretações dos menhires defendida por Manuel Calado (ver, por exemplo, o volume sobre o Alentejo, publicado na série “ARKEOS”). Para Além destes artigos, também alguns resumos valem a pena (como o de François Djindjian, sobre o bestiário associável a sucessivos ciclos rupestres europeus).
Luiz Oosterbeek
domingo, 4 de novembro de 2007
Porquê um Blog? Este Blog?

Num tempo acelerado, com escassos espaços de reflexão…
… numa comunidade em que somos já muitas dezenas, entre investigadores, docentes e estudantes de Mestrado e Doutoramento, em torno do Museu de Arte Pré-Histórica de Mação e do Instituto Terra e Memória (parceria do Instituto Politécnico de Tomar com a Câmara Municipal de Mação)…
…pensàmos em criar este espaço de tertúlia virtual, para trocar pensamentos, reflexões, inquietações culturais, para dividir leituras, ideias, imagens, projectos…
… sobretudo para permanecermos ligados nas distâncias que nos separam, sem a preocupação de sermos diferentes, mas sempre procurando sermos exigentes para connosco.
Este é um blog de pré-história, arqueologia, arte rupestre, antropologia, filosofia, etnografia, didáctica, ciência. Para todos sabermos sobre os caminhos científicos e culturais que cada um de nós se interessa por trilhar e partilhar.
Uma certeza: o grande combate que todos travamos é pela defesa da pluralidade e da racionalidade, pela defesa da cultura e da ciência, de que o Quaternário e a Pré-História são campos nucleares de reflexão.
Luiz Oosterbeek

